A era da colaboração individualista

Olá pessoal, tudo bem?

 

5:35 da manhã e eu não consigo mais dormir. Insônia é algo que tenho quando tem alguma coisa incomodando a minha paz mental. 7 de setembro. Feriado. Por mais que tenham mil coisas para resolver “lá fora”, eu queria dormir até as 10 da manhã. Mas pelo visto não hoje. Eu ando chocado, estamos vivendo a era da colaboração individualista, e não faz sentido nenhum.

 

Nunca antes na história do mundo se falou tanto em colaboração, cooperação e (a palavra mais bonita dessas) co-criação. E isso é fantástico. Estamos falando em co-criar o futuro, na verdade, co-criar o presente. E o que é esse “co-criar”?

 

Co-criar é um processo que tem como objetivo executar um serviço ou criar um produto ouvindo e com a colaboração de todos os atores envolvidos, afetados e que interajam com o produto/serviço.

 

E isso é brilhante. Basicamente porque, seja uma política pública nova do Governo ouseja o novo produto de uma empresa, é co-criado. Os atores todos serão ouvidos e ajudarão a criar aquele serviço ou produto. Imaginem algo sendo criado agora com a visão de todos os ângulos e para atender a todos esses atores. E não como de costume, criado por um grupo de poucos para muitos, que geralmente gera desconforto e descontentamento.

 

Imaginem o nosso país sendo de fato colaborativo, onde o governo senta com o setor empresarial, terceiro setor e cidadãos para discutir o que deveria ser feito daqui para frente. Um processo sério. Onde de fato todos tivessem voz, e que inclusive colocassem a mão na massa para fazer acontecer. Fica muito claro, que a história seria outra.

 

Empresas já fazem isso muito bem, co-criam produtos com seus clientes, parceiros e comunidade. E na verdade, pesquisando mais a fundo onde surgiu o termo “co-criação”, foi no setor empresarial que ele começou:

 

Cocriação é um conceito de marketing e negócios. A cocriação é uma forma de inovação que acontece quando as pessoas de fora da empresa como fornecedores, colaboradores e clientes associam-se com o negócio ou produto agregando inovação de valor, conteúdo ou marketing, e recebendo em troca os benefícios de sua contribuição, sejam eles através do acesso a produtos customizados ou da promoção de suas idéias.

 

E é nesse contexto que falamos da era da colaboração, onde as pessoas cooperam e criam soluções para um mundo em crise pensando no bem comum.

 

Será?

 

A pergunta que comecei a me fazer é se entendi isso tudo errado e achei que as pessoas agora colaborariam de fato pelo bem comum.

 

Porque tem um probleminha nessa história toda que ainda não foi desconstruído. Sim, as pessoas até co-criam, mas com um detalhe: desde que acima de tudo, antes de ser para o bem comum, seja bom para elas mesmas.

 

E aqui é que começa o erro da era da colaboração. É lindo ver uma mesa redonda com pessoas entusiasmadas para fazer acontecer. Todos se conhecem, ouvem as histórias dos outros, se interessam por tudo aquilo e começam a trabalhar em uma solução para todos eles, mas não sem antes ter certeza de que aquilo vai ser bom mesmo é para elas mesmas.

 

E aí falamos de empatia, de se colocar no lugar do outro, de fazer o bem, de querermos um país melhor, de queremos tantas coisas, que seriam alcançadas pela colaboração. Mas então enfrentamos hipocrisia, ego, enfim, individualismo.

 

E hipocrisia para mim sempre esteve no topo da lista de piores atitudes. Pessoas falam coisas, enquanto seu corpo diz outra e suas ações quando “ninguém está vendo” são outras. Falar é bem fácil, e um discurso então, fica até bonito de ouvir. Fazer é outra história. Dar o exemplo então, nem se fala.

 

Ego, quase que o mal do mundo. Quanta coisa nós realizaríamos juntos se não nos importássemos com quem ganharia o crédito no final. Mas vamos lá né, sem hipocrisia, num mundo onde parecer e ter é muito mais importante do que ser, quem é o louco que não vai querer aparecer não é!? Pois é.

 

E aí chegamos na “raiz de todo o mal”, o individualismo. Onde vale tudo, desde que “eu” seja o maior beneficiado. Seja em uma negociação, uma política do governo nova ou até mesmo em um relacionamento. Queremos colaborar, claro que queremos, mas, desde que saiamos ganhando (mais que todos) nisso.

 

Passa das 6 da manhã, o dia está clareando agora e não mudou nada, eu ainda estou me perguntando sem saber se vou achar uma resposta ou viver o suficiente para ver as pessoas respeitando as outras, colocando a empatia de fato em prática, entrar em uma negociação onde todos ganham igualmente, onde partidos e políticos não pensam apenas em eleições. Será que vamos vencer esse pensamento e visão individualista do mundo e vamos de fato, de verdade mesmo, colaborar, cooperar e co-criar?

 

…ou vamos continuar pensando primeiro no nosso próprio r@b#?

Thaynan Mariano Foto
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