O que eu aprendi com o meu Vô…aproveitar as oportunidades

Olá  pessoal,

Hoje é dia 14 de Junho, são 4:57 da manhã. Eu to sentado em uma poltrona dessas reclináveis, meio desconfortável na verdade, principalmente pelo fato de que eu to tentando dormir nela, e não só sentar.

Tem um barulho alto do ar-condicionado trabalhando. De um dos lados tem um senhor…gemendo.

Do meu outro lado está o meu Vô. Quietinho. Dormindo na cama do hospital. E eu olho pra ele, e queria…não sei…só perguntar uma coisa…”valeu a pena Vô”? Valeu a pena todo o esforço? E eu até acho que ele falaria que sim!

Quando eu estava na Irlanda e ligava pra casa, ou conversava com meus amigos por facebook ou skype, mais cedo ou mais tarde vinham as perguntas “quando eu voltaria para o Brasil”, “quanto tempo eu queria ficar na Irlanda” entre outras, várias relacionadas a quais seriam os próximos passos.

Mas era até estranho…quando eu falava com o Vô, em todas as ligações, ele nunca perguntou quando eu voltaria, ele nunca perguntou quanto tempo mais eu ficaria lá. O que ele perguntava sempre era “se eu estava gostando de estar lá”. Eu ia dizer que sim e ia dizer que ao mesmo tempo era correria, nem tudo estava 100%. E ele ia sempre falar “é isso aí negão”, aproveita as oportunidades e toma as decisões no teu tempo, aproveita o momento e oportunidade de estar fora, de se desenvolver, de viajar. Ele sempre falava que estava feliz por eu estar fazendo o que eu queria. E sempre falava que estaria lá quando eu voltasse.

Eu voltei Vô. Mas não é esse o ponto. O ponto é que estou vivendo a vida que eu quero viver, isso…cheio dos problemas…cheio das buchas…porque é verdade…a vida é filha da puta…mas eu estou aproveitando as oportunidades dela.
Ontem…as 4:57…eu estava me divertindo como não fazia em muito tempo. Eu parecia criança…adolescente de novo…com certeza não estava pensando na segunda-feira…eu nem estava pensando que em algumas horas eu teria que ir para o MBA…eu só estava curtindo muito com meus amigos…meus amigos irmãos! E nós rimos…nós nos divertimos demais! E eu nem lembro do quanto na verdade…não de tudinho pelo menos…não as 4:57.

Sabe Vô…mesmo agora… sem falar nada…tais me ensinando sobre a vida…e muito…como sempre foi. E lembrando das nossas conversas por telefone, ou do tempo em que iamos tomar picolé na Praça XV…ou comprar bala nas Lojas Americanas…

Vô

Vô…eu acho que…não do jeito que eu queria…mas estou de novo aprendendo que essa vida…não é sobre o “fim” dela, não é sobre o que seremos quando crescer, onde iremos trabalhar, para que lugar iremos nas férias, onde vamos beber na sexta…é sobre a “Jornada”…o aqui e o agora. Lembrando das coisas boas que passamos, sonhando com o que queremos lá na frente, mas vivendo o agora! Aproveitando cada segundo…e sabendo que estamos fazendo a coisa “certa”, que estamos no lugar certo, com as pessoas certas…que estamos fazendo o que queríamos estar fazendo…porque essa é a jornada!

[O senhor do lado agora fica gritando…meio sem força…”ai…ai…aaaiii”]

Vô…te ver assim…dói…mas é tão bom ver que mesmo agora…mesmo no que parece ser o final…e que está difícil de imaginar que é um final feliz…ver que sempre que chego…tu dás um sorriso…olha nos meus olhos…e se esforça…com a tua mãozinha tremendo…para apertar a minha.

Formatura do Mecatrônica

Vô…obrigado por tudo! Isso não é uma despedida…isso é um obrigado pelo agora…por me fazer entender ainda mais que devo voltar a focar na jornada! E que é ela que vai me fazer feliz…não é o que já vivi de bom…não é o que eu sonho em realizar…é o que eu to vivendo agora!

Aqui tem também um aparelho que fica fazendo ti-ti-ti a cada segundo, sabe…como se fosse esses relógios de parede que fazem tic-tac..tic-tac..tic-tac. E já está começando a me incomodar. Mas a única coisa que me faz pensar mesmo é..o tempo tá passando…ti-ti-ti…ti-ti-ti…ti-ti-ti…

Não era para ser uma despedida Vô, mas hoje, dia 20 de Junho, tu fosses descansar…e depois de tudo que fizesses, tu mereces! Mas vai deixar saudades! Muita saudade! Se puder fazer um último pedido…eu só quero que tu continues, de onde tu estiveres, fazendo o que sempre fizesses, cuidando de nós e eu sei que eu nem precisaria pedir…eu se que vais cuidar de nós…porque a “jornada” é o que importa…mas tu bem sabes…ela não é nada fácil de ser vivida!

Do teu neto que tanto te admira!

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